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(o conteúdo abaixo foi adicionado aproximadamente em 1999)
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  •       "O homem é algo que deve ser superado. Que fizestes para superá-lo? Todos os seres, até agora, criaram algo acima de si mesmos;
  •                    e vós quereis ser a baixa-mar dessa grande maré cheia e retrogradar ao animal, em vez de superar o homem?"
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  •         As causas imaginárias que, atualmente, regem a idiossincrasia de seus iludidos e espezinhados seguidores estão, por toda a parte, aleijadas. Quanto maior amplitude toma a crença no ilógico e imaginário, mais esta inevitavelmente se diverge da realidade. Não raro, chegam ao ponto crítico onde se contradizem, e somente o desprezo e a negação da lógica racional,  mesmo que esta seja feita de forma incoerente, pode levá-los mais adiante no seu turtuoso caminho palmilhado às cegas rumo ao incerto.
  •          Dentro dos domínios da crença, medo, sofrimento e impotência dão lugar a um auto-engano motivado pelo pseudoconhecimento e autoconfiança que a mesma ardilosamente lhes proporciona, levando os fiéis a manter-se, de bom grado, presos pelo grilhão do dogmatismo de doutrinas que cinicamente autoproclamam-se "donas da verdade", usando premissas de cunho mítico e ilógico como embasamento. Tais pressuposições aniquilam o senso crítico ao fazer acatar escrituras ou teorias de fontes quase sempre duvidosas e de conteúdo obscuro, com idéias imprecisas e mesmo contraditórias à  realidade, como sendo a verdade absoluta, e ao admitir que esse conhecimento seja a verdade suprema, que reflita o auge do potencial do intelecto humano, estão, indubitavelmente, subestimando-o e ridicularizando e também, inconscientemente, crastrando-se do uso pleno do mesmo.
  •          Não podemos admitir que o homem assim evoluído se refugie de sua ignorância,  procurando abrigo nos braços de uma figura de pai divinizada que ele mesmo criou. A veracidade dessa afirmação pode ser facilmente percebida ao passo que se toma conhecimento das recentes pesquisas ministradas, que chegaram à seguinte conclusão: quanto maior a escolaridade da população, maior também a descrença em relação a tais logros. Revela-se que 20% da população mundial já se confessa ateísta, perdendo apenas em número de adeptos para o cristianismo. Obviamente, se a escolaridade é o principal critério de definição, países pobres com uma população de escolaridade baixa e cultura escassa terão uma quantidade esmagadoramente maior de crentes. O que, segundo a pesquisa, se mostra verdadeiro, levando-nos à conclusão de que a ignorância está ligada à fé em Deus ou quaisquer seres de natureza imaginária.
  •          Não mentia Nietzsche, filósofo alemão, ao dizer "Deus está morto". Este mito, como todos os outros, tornou-se desnecessário, supérfluo, "morto".  Sem dizer quão daninho e nocivo à humanidade, já que ele erradica o ceticismo em seus fiéis. Mas, infelizmente, por mais prejudicial que seja, ainda suscita medo em muitos outros quando lhes ocorre de "enterrá-lo". E, na maioria das vezes, desse medo pode ser destilada uma notável quantidade de conformismo, devido à grande comodidade que o ilusório conhecimento derivado da crença lhes oferece.
  •          Tomemos como exemplo o dogma mais amplamente conhecido: o Deus bíblico como criador da humanidade. Um suposto ser fabuloso, gabado de ser onipresente, onisciente e onipotente, que, entretanto, não parece conhecer outra morada além das lacunas do conhecimento científico. Outrora, trovões e inundações eram interpretados como sinais ou punições divinas. Pois riem-se hoje os cientistas dessas interpretações descabidas dos fenômenos naturais. Riem-se, ainda, muito mais, da concepção criacionista do mundo que ignora todo o conhecimento científico acumulado nos últimos 140 anos a fim de interpretar ao pé da letra velhas escrituras abstrusas, metafóricas, fantasiosas e, vale a pena martelar neste velho ponto contraditórias à realidade e a elas mesmas. E estes dois trechos bíblicos elucidam tal fato "(nm 2319) Deus não é homem para que minta, nem filho do homem para que se arrependa" , "(Gn 66-7) Então arrependeu-se o senhor de haver feito o homem sobre a terra , e isso lhe pesou no coração(...) pois me arrependo de os haver feito".  E neste ponto culminante da contradição não se pode deixar passar por coincidência o fato de que chimpanzés tem o seu DNA 99% idêntico ao humano e que o homem possui os chamados pseudogenes no DNA, que não funcionam mais porque sofreram danos, e que o chimpanzé possui pseudogenes idênticos, indicando ancestrais comuns.  Ao ignorar esse conhecimento em nome de uma crença qualquer, estaríamos fugindo das nossas origens, deixando de ser "homens", que significa "aquele que avalia", para sermos aqueles que "acreditam". A convicção segura em argumentos claramente já refutados pela ciência, que se apóiam em justisticativas tão singelas e delicadas que um simples "Por quê?" faz tudo desabar, só pode nos levar a crer que a fé, além de proporcionar a certeza necessária para a crença no ilógico, ainda funciona como venda para os olhos e inibidora do ceticismo. Fé esta que inclusive pode ser considerada doentia, pois é uma convicção muito mais inimiga da verdade que as mentiras ou o erro, porque não se deixa desmascarar mesmo quando já se encontra desmantelada e retorcida.
  •          Ingenuamente apóiam-se os dogmáticos na afirmação de que essa crença é benéfica à humanidade. Muito improvável! Nem eles ou historiador algum encontrou o nome de algum ditador, peste, guerra ou terribilidade de qualquer espécie, que tenha causado mais mortes e desgraças à humanidade que o de "Deus" e seus compatriotas. Deixa-se, assim, uma pergunta em nossa mente: "Existem, será, assassinas melhores que as convicções em escritos sagrados?"
  •          Estes ofuscados por um clarão de uma divina tirania de princípios "absolutos", nutrindo-se de fantasias que substituem sua ignorância por outra, mas esta segunda se mostra vestida enganadoramente como explicação, acorrentando-lhes o ser e o pensar. Estes desprezadores do corpo e da terra, tendo em vista realidades ultraterrenas, tendem, inevitavelmente, a desaparecer. Pois a ciência continua caminhando, de braços dados ao ateísmo,  com passos estrondosos, implacáveis e inexoráveis, refutando e dilacerando impiamente qualquer espécie de dogmatismo ou crença irracional que ousar barrar-lhe a passagem. Os fiéis, assim sufocados, perdem, uma a uma, cada migalha de fé, sendo despojados gradativamente do alimento de sua mais alta esperança. E, com tal visão do futuro, a questão deixa de ser sim ou não, mas quando e por que Deus e seus irmãos ultramundanos finalmente serão velados, mas sem antes que o sangue destes seja servido no mais belo cálice da ciência.
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  •                                                                                                         André D. Cancian
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